Reitoria estima prejuízo de R$ 100 milhões; Polícia Federal investiga as causas do incêndio, o terceiro registrado na universidade em uma semana
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| Incêndio em prédio da UFPE — Foto: Reprodução/WhatsApp |
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite da quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, e provocou danos a laboratórios que desenvolviam pesquisas científicas em diferentes áreas da saúde. Entre os estudos afetados estão trabalhos relacionados ao câncer, à Covid-19, ao transtorno do espectro autista (TEA) e ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
A Reitoria estima que os prejuízos possam chegar a R$ 100 milhões. A dimensão das perdas ainda está sendo avaliada, incluindo os danos a equipamentos, amostras biológicas, documentos e dados científicos utilizados por estudantes e pesquisadores.
O caso também chama a atenção pela sequência de ocorrências na instituição. Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em uma semana, após outros episódios nos dias 30 de setembro e 5 de outubro. A Polícia Federal investiga as causas do fogo e apura a possibilidade de ação criminosa.
Laboratórios perderam equipamentos e materiais de pesquisa
O prédio atingido tem dois pavimentos e já abrigou o Restaurante Universitário e a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da universidade. Atualmente, o espaço sediava centros de pesquisa nas áreas de educação física, biologia e biomedicina, incluindo o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.
As chamas atingiram principalmente as salas do primeiro andar, onde funcionavam laboratórios utilizados em pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado.
Entre os equipamentos que podem ter sido perdidos estão computadores, câmeras de análise tridimensional, aparelhos de biomecânica e ultrafreezers, utilizados para conservar amostras biológicas em temperaturas inferiores a -80 °C.
Além dos prejuízos materiais, a destruição de amostras e registros científicos pode comprometer anos de trabalho acadêmico.
Pesquisadores relatam perdas e preocupação
A professora e doutora em Educação Física Melissa Leandro Celestino esteve no local na manhã desta quinta-feira (8). Ela utilizava um dos laboratórios atingidos, onde desenvolvia estudos sobre desempenho humano, comportamento motor, biomecânica, esportes, saúde e atividade física, além de pesquisas relacionadas ao TDAH e ao autismo.
O estudante de Educação Física e pesquisador Vitor Lima também relatou a perda de equipamentos utilizados pela equipe.
Segundo ele, os pesquisadores trabalhavam normalmente quando foram avisados por um funcionário da segurança da universidade de que o incêndio havia começado.
As estudantes Larissa Nascimento, de biologia, e Bianca Souza, de biomedicina, também demonstraram preocupação com a destruição de materiais e dados que estavam armazenados no prédio.
Reitor aponta idade das instalações
O reitor da UFPE, Alfredo Macedo, destacou que a universidade possui centenas de edificações antigas, algumas com mais de 70 ou 80 anos, o que amplia a preocupação com as condições estruturais dos prédios.
Pesquisadores relataram ainda problemas recorrentes de oscilação de energia elétrica nos laboratórios. De acordo com os relatos, as quedas e o retorno da eletricidade já haviam colocado equipamentos importantes em risco.
As possíveis condições das instalações e as causas do incêndio deverão ser esclarecidas durante as avaliações técnicas e a investigação.
Polícia Federal investiga o caso
O Corpo de Bombeiros concluiu os trabalhos iniciais de combate às chamas e rescaldo por volta das 5h desta quinta-feira (8). Horas depois, novas imagens mostraram a presença de chamas no interior do centro de pesquisa, levando ao envio de outra equipe para verificar a situação.
A Polícia Federal informou que peritos foram encaminhados à universidade para realizar exames no local.
A UFPE deverá avaliar a extensão dos danos e definir medidas de apoio aos pesquisadores afetados. Até que esse levantamento seja concluído, ainda não há confirmação sobre a quantidade total de laboratórios atingidos nem sobre o alcance das perdas científicas.
O incêndio representa um duro golpe para a comunidade acadêmica pernambucana, diante do risco de interrupção de pesquisas e da perda de materiais que, em alguns casos, podem ser difíceis ou impossíveis de recuperar.