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| O F-39E Gripen é considerado um caça multiemprego, que visa ampliar a capacidade de cumprimento das tarefas de controle aeroespacial, interdição, inteligência, reconhecimento, proteção da força, defesa aérea e ataque ao solo. Foto: Ricardo Stuckert / PR |
planalto
Presidente acompanhou nesta quarta-feira (25), nas instalações da Embraer
em Gavião Peixoto (SP), a apresentação do F-39E Gripen. Produzido em parceria
com a empresa sueca Saab, projeto faz do Brasil o primeiro país da América
Latina a dominar o processo de produção de caças supersônicos
presidente
Luiz Inácio Lula da Silva prestigiou, nesta quarta-feira (25/3), no Aeródromo
Embraer Unidade Gavião Peixoto, em São Paulo, um momento histórico para o
Brasil: a apresentação do caça F-39E Gripen, da empresa sueca Saab, a primeira
aeronave supersônica produzida no país. Com a conquista, o Brasil se insere no
seleto grupo de nações capazes de desenvolver e produzir aeronaves de combate
de alta complexidade e torna-se o primeiro país da América Latina a dominar
esse tipo de tecnologia.
“Hoje,
o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro
Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que
acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou
o presidente, nas redes sociais.
A
apresentação do supersônico integra o programa Caça FX-2, que abrange um
conjunto de investimentos de R$ 28,5 bilhões no período de 2014 a 2033, sendo
R$ 10,5 bilhões no âmbito do Novo PAC (2023-2030), e contempla a aquisição e
produção de aeronaves, além da transferência de tecnologia para a indústria
nacional.
Vice-presidente
da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços,
Geraldo Alckmin também ressaltou a importância do feito alcançado pelo Brasil.
“O presidente Lula tem fortalecido a indústria brasileira e a indústria da
defesa está na vanguarda da inovação. A indústria da defesa é um seguro para a
soberania nacional”, destacou, na cerimônia em Gavião Peixoto.
Durante
o evento, Lula batizou o caça, acompanhado de Alckmin; do ministro da Defesa,
José Múcio; do comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno; do CEO da Embraer,
Francisco Gomes Neto; e do presidente e CEO da Saab, Micael Johansson.
Hoje,
o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro
Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que
acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania.”
Luiz Inácio Lula da
Silva, presidente da República
UM
MILHÃO DE HORAS – O F-39E Gripen é considerado um caça multiemprego, que
visa ampliar a capacidade de cumprimento das tarefas de controle aeroespacial,
interdição, inteligência, reconhecimento, proteção da força, defesa aérea e
ataque ao solo. A produção do caça no Brasil é resultado de mais de um milhão
de horas entre desenvolvimento, produção, ensaios e suporte, além de 600 mil
horas de treinamento, e resulta de um contrato firmado com a Svenska Aeroplan
AB (Saab).
NOVAS
OPORTUNIDADES – A parceria entre a Embraer e a Saab prevê ampla
transferência de tecnologia, que inclui a capacitação de engenheiros e
técnicos, bem como o desenvolvimento de capacidades da indústria nacional para
futuros projetos aeronáuticos, reduzindo, assim, a dependência externa. “Essa
cooperação fortaleceu a capacidade industrial e tecnológica do Brasil e abriu
novas oportunidades internacionais. Esta planta de Gavião Peixoto está
plenamente preparada para fabricar novos Gripens para outros países. Estamos
fortemente engajados no sucesso do programa em futuras exportações, incluindo
oportunidades na Colômbia e em outros mercados”, afirmou Francisco Gomes Neto.
REEQUIPAMENTO
DA FROTA – O programa Caça FX-2 (F-39/GRIPEN) consiste no
reequipamento da frota de aeronaves militares de combate da Força Aérea
Brasileira (FAB), por meio da aquisição de caças de última geração da Suécia e
produção nacional, via Embraer, incluindo desenvolvimento, transferência de
tecnologia, aquisição de simuladores e suporte logístico. As aeronaves dispõem
de radar de última geração, míssil de longo alcance e sistemas avançados de
comunicação e guerra eletrônica. Os Gripens comportam modelos monopostos
(apenas um assento) e bipostos (dois assentos), esses últimos, uma
especificidade do programa brasileiro.
“O
plano de entrega de aeronaves do projeto Gripen fazia previsão de contemplar em
2026 as primeiras aeronaves produzidas no Brasil. Essa entrega é uma realidade
no dia de hoje e estamos aqui para testemunhar esse feito histórico e que nos
emociona”, celebrou o ministro José Múcio.
INDÚSTRIA
NACIONAL – Das 36 aeronaves contratadas no programa, 15 estão
programadas para serem produzidas na planta da Embraer-Defesa em Gavião
Peixoto. O empreendimento gera impactos na indústria nacional, uma vez que
parte dos componentes estruturais da aeronave, como a fuselagem dianteira e
traseira, cone de cauda e freios aerodinâmicos são produzidos pela Saab
Aeroestruturas em São Bernardo do Campo (SP).
“Esse
marco histórico, representado por esta aeronave, simboliza a transição do
planejamento à execução, bem como da expectativa à realidade. Mais do que isso,
atesta o ineditismo do nosso Brasil na produção de caças supersônicos entre os
países do Hemisfério Sul e da América Latina, consolidando a indústria nacional
como referência continental na fabricação deste vetor de superioridade aérea”,
frisou o comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno.
EXPORTAÇÃO –
Outras empresas brasileiras, como a AEL Sistemas, a Akaer e a Atech, também
participam da cadeia de suprimentos e desenvolvimento da aeronave. A intenção
desse empreendimento é produzir localmente futuras encomendas do Gripen não
somente para o Brasil, mas também para outros países da América Latina. A linha
de produção no Brasil teve início em 2023 e contou com a presença do presidente
Lula no evento de inauguração.
13
MIL EMPREGOS – Estima-se que o Programa Gripen no Brasil gere cerca de
13 mil empregos no país, sendo aproximadamente 2.200 empregos diretos e 10.800
indiretos, como resultado da transferência de tecnologia, dos investimentos e
da contratação de produtos e serviços nacionais. Os empregos diretos conentram-se
principalmente nas atividades de desenvolvimento e produção da aeronave,
realizadas por engenheiros e especialistas das empresas parceiras, como
Embraer, AEL Sistemas, Akaer, Atech e Saab, responsáveis por diversos hardwares
e softwares do projeto.
NOVOS
MERCADOS – Os investimentos nessas empresas fortalecem a capacidade
tecnológica do Brasil e contribuem para expansão em novos mercados, inclusive
fora do próprio programa. O projeto também estimula a cadeia de suprimentos
nacional por meio da subcontratação de fornecedores e prestadores de serviços,
envolve diferentes órgãos governamentais nas etapas de aquisição,
implementação, operação e fiscalização. O processo inclui ainda atividades de
certificação, pesquisa e desenvolvimento conduzidas em institutos do
Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), além de gerar
impactos indiretos na economia em diversos setores devido ao aumento da renda e
da atividade produtiva.
PISTA
E EVTOL – A visita de Lula também incluiu outros dois pontos de
destaque. O presidente conheceu a pista da Embraer em Gavião Peixoto, que, com
cinco quilômetros de extensão, é a maior do hemisfério sul e utilizada
especialmente para testes dos aviões. Além disso, Lula acompanhou a
demonstração do eVTOL, um protótipo de veículo aéreo, de pouso e decolagem
vertical (popularmente conhecido como carro voador), que está sendo
desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, com
financiamento do BNDES. Voltado para o mercado de mobilidade aérea urbana, o
veículo elétrico tem avançado na campanha de desenvolvimento, incluindo ensaio
em voo desde dezembro de 2025.

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