Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 13 de março por causa de uma pneumonia e de uma condição cardiológica.
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| Juca de Oliveira em 'Torre de Babel' — Foto: Jorge Baumann/Globo |
O
ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos na madrugada deste sábado
(21) em São Paulo. A informação foi confirmada à TV Globo pela assessoria da
família.
Ele
estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital
Sírio-Libanês, desde o dia 13 de março em decorrência de um quadro de pneumonia
associado a uma condição cardiológica.Em nota, a família informou que seu
estado de saúde era delicado e agradeceu "as manifestações de carinho e
solidariedade"."Com pesar, comunicamos o falecimento do ator, autor e
diretor Juca de Oliveira, ocorrido nesta madrugada de 21 de março de 2026, aos
91 anos. Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras,
Juca de Oliveira construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na
televisão e no cinema", diz um trecho do comunicado.José Juca de Oliveira
Santos nasceu no dia 16 de março de 1935, em São Roque, interior de São Paulo,
e iniciou sua carreira no teatro nos anos 1950.
Ao
todo, participou de mais de 30 novelas e minisséries, além de ter integrado o
elenco de mais de dez longas-metragens e 60 peças de teatro, incluindo aquelas
em que trabalhou como autor.
Seu
papel mais marcante na TV foi na novela "O Clone", de Glória Perez.
Ele interpretou o médico geneticista Doutor Albieri, responsável pela produção
de um clone humano.O velório será realizado no Funeral Home, no bairro da Bela
Vista, região central da capital, das 15h às 21h deste sábado. A cerimônia será
restrita a amigos e familiares.
O
início da carreiraAntes do teatro, Juca chegou a cursar a faculdade de Direito
na Universidade de São Paulo (USP) e a trabalhar em um banco. No entanto, a
veia teatral falou mais alto e ele decidiu largar o emprego e trancar a
faculdade para focar no seu desenvolvimento na Escola de Arte Dramática.
Ainda
na década de 1950, fez parte do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), tendo
contracenado com nomes como Aracy Balabanian e encenado peças como “A Semente”,
de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller.
Nos
anos 1960, em parceria com Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio
Império, comprou o Teatro de Arena, uma referência da cultura brasileira em
meio à ditadura militar. Juca, que também era ligado ao Partido Comunista
Brasileiro, acabou sendo perseguido pelo Estado brasileiro e se exilou na
Bolívia.
“Não
foi por acaso que o Teatro de Arena foi brutalmente atingido pela ditadura
militar. O teatro foi fechado, nós fomos perseguidos. Uma tragédia”, disse em
depoimento ao projeto Memória Globo.
Ao
voltar para o Brasil, fez sua primeira novela, ainda em 1964: "Quando o Amor
É Mais Forte", da TV Tupi. O ator estreou na TV Globo em 1973,
interpretando o personagem Alberto Parreiras em "O Semideus".
O
auge na TVNos anos 1980, Juca teve passagens por Bandeirantes, onde atuou em
"A idade da Loba", e pelo SBT, tendo participado de "Os Ossos do
Barão".
Em
1993, voltou à TV Globo para fazer "Fera Ferida" e, ainda nos anos
1990, integrou o elenco de "Torre de Babel".
Com
"O Clone", exibida entre 2001 e 2002, viveu um dos seus grandes
momentos na TV. Na trama, após a morte do seu afilhado, Diogo (Murilo Benício),
seu personagem, Dr. Albieri, decidiu realizar o sonho de ser o primeiro médico
a realizar clonagem humana. Para isso, ele acaba clonando o irmão de Diogo,
Lucas.
“Esse
personagem tem uma particularidade excepcional do ponto de vista do texto. Eu
fico até arrepiado quando penso nisso. É muito bonita a maneira como ele se
refere à dor da perda daquele menino que era toda a sua vida, que dava sentido
inclusive à sua existência. A perda é tão grande que daí ele parte para a construção
de um igual para substituir”.
Seu
último papel na TV foi 'O Outro Lado do Paraíso', em 2018, interpretando
Natanael. Nos últimos anos, o ator focou seu trabalho no teatro — o qual ele
nunca deixou de lado — e no cuidado da sua fazenda de gado para corte.

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